O Transtorno do Espectro Autista (TEA) acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida, tornando essencial um olhar clínico especializado também na fase adulta. A transição para essa etapa costuma envolver desafios importantes, como adaptação ao ensino superior, organização da rotina, demandas profissionais, habilidades sociais, autonomia e manejo emocional.
Embora cada pessoa apresente necessidades singulares, dificuldades em funções executivas, comunicação social, atenção, regulação emocional e adaptação a ambientes complexos podem impactar diretamente a qualidade de vida, a autoestima e a independência.
Estudos mostram que intervenções baseadas em evidências, individualizadas e conduzidas por equipe multiprofissional favorecem ganhos significativos em autonomia, participação social, vida acadêmica e inserção no trabalho. Estratégias voltadas ao desenvolvimento de habilidades sociais, suporte à organização, orientação familiar, psicoterapia e acompanhamento interdisciplinar são fundamentais nesse processo.
Apesar dos avanços, ainda existem lacunas importantes nas políticas públicas e na oferta de serviços especializados para adolescentes, jovens e adultos com TEA, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico, tratamento e suporte contínuo.
Alguns estudos apontam que em média de 37% a 46% dos adultos que receberam um diagnóstico de TEA na fase adulta relataram sintomas que condizentes com ansiedade ou depressão moderada ou grave. O nível de suporte do autismo e o número de adultos que relataram sintomas de ansiedade graves estava aumentados no grupo adulto diagnosticado, resultando em redução da comunicação, retraimento social e aumento da agitação psicomotora, comportamento estereotipado e obsessivo.
Na CEAC, acompanhamos adultos e trabalhamos para desenvolver sua potencialidade, valorizamos uma abordagem individualizada, baseada em evidências e centrada no potencial de cada pessoa, promovendo desenvolvimento, funcionalidade, bem-estar e maior qualidade de vida em todas as fases do desenvolvimento.
Fonte: Revista Autismo, ANO V – Nº 06 – SET/OUT/NOV 2019
Psicóloga Cognitivo-Comportamental
Pós-Graduada em Neuropsicologia
Pós-Graduada em Psicomotricidade
Mestre em Ensino nas Ciências da Saúde
Pós-Graduada em Análise do Comportamento Aplicada (ABA)