A maternidade é, por si só, uma experiência intensa, cheia de amor, entrega e desafios. No entanto, quando falamos das mães atípicas, que cuidam de filhos com deficiência, essa jornada ganha novas camadas de complexidade. Essas mulheres acumulam múltiplos papéis: cuidadoras, mediadoras, gestoras da rotina e, muitas vezes, verdadeiras terapeutas do dia a dia. Elas se reinventam a cada amanhecer, movidas pela força e pela resiliência. Mas fica uma pergunta importante: quem cuida de quem cuida?
Pesquisas mostram que muitas dessas mães enfrentam altos níveis de estresse, ansiedade e até depressão. Frequentemente, precisam abrir mão do trabalho para se dedicar integralmente aos filhos, o que pode gerar sobrecarga, dificuldades financeiras e até isolamento social. Ainda assim, existem caminhos possíveis para acolhê-las e apoiá-las. Ter uma rede de apoio faz toda a diferença. Dividir responsabilidades com familiares, amigos ou grupos de mães pode aliviar o peso da rotina. Praticar um autocuidado realista, com pequenas pausas e momentos de descanso, também é fundamental, assim como buscar apoio psicológico sempre que possível.
Outro ponto essencial é conhecer os direitos e políticas públicas voltados às famílias atípicas: auxílios financeiros, programas de inclusão e suporte emocional. Acima de tudo, é importante o resgate da identidade, lembrando-se de quem se é além do papel de mãe e cuidadora.
Este conteúdo é baseado em estudos recentes sobre maternidade atípica e saúde mental (Fiocruz, 2021; Canal Autismo, 2024; Nexo Jornal, 2025).
Como psicóloga, vejo diariamente a força dessas mães, mas também percebo a urgência de lembrarmos que elas não precisam e não devem carregar tudo sozinhas. Cuidar de si não é egoísmo; é essencial. Apoiar essas mães é também cuidar de suas crianças
Psicóloga Cognitivo-Comportamental – CRP 06/198709
Certificada no Modelo Denver de Intervenção Precoce (ESDM)
Pós-graduada em Psicopedagogia com complementação em Magistério Superior
Pós-graduada em Magistério da Educação Básica com concentração em Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental
Pós-graduada em Análise do Comportamento Aplicada – ABA