A importância do brincar

O brincar ocupa um lugar central no desenvolvimento infantil, sendo reconhecido como uma atividade essencial para o crescimento cognitivo, social, emocional e motor da criança. Diversos autores ressaltaram sua importância. Piaget (1975), por exemplo, afirmou que o brincar é uma forma privilegiada de assimilação da realidade, permitindo à criança compreender o mundo à sua volta e exercitar funções cognitivas em diferentes estágios de desenvolvimento. Já Vygotsky (1991) destacou que, por meio da brincadeira simbólica, a criança desenvolve funções psicológicas superiores, como a atenção voluntária, a memória lógica e a autorregulação, evidenciando que o brincar não é apenas espontâneo, mas também uma atividade mediadora de aprendizagens.

Na clínica psicológica, especialmente na terapia infantil, a brincadeira assume um papel fundamental como recurso de expressão e intervenção. Winnicott (1975) defendeu que brincar é uma forma de comunicação genuína da criança, sendo o espaço transicional em que ela pode simbolizar experiências internas e elaborar conflitos. Muitas vezes, a criança não consegue verbalizar sentimentos ou dificuldades, mas, por meio do jogo, do faz de conta ou do uso de brinquedos, expressa conteúdos que podem ser compreendidos e trabalhados pelo terapeuta. Nesse sentido, brincar na terapia não se restringe ao lazer, mas sim como um instrumento clínico essencial.

Além da expressão, a brincadeira favorece o desenvolvimento de inúmeras habilidades. No campo social, ensina a compartilhar, respeitar regras, esperar a vez e cooperar, promovendo vínculos e senso de pertencimento. Do ponto de vista cognitivo, estimula atenção, memória, resolução de problemas, linguagem, raciocínio lógico e criatividade. Em relação ao aspecto emocional, possibilita que a criança reconheça e elabore sentimentos, aprenda a lidar com frustrações, exercite a empatia e desenvolva maior segurança interna. No âmbito motor, contribui para a coordenação fina e ampla, favorecendo o domínio do corpo e da motricidade.

Portanto, brincar é mais do que uma atividade recreativa; é um processo do desenvolvimento humano e uma ferramenta terapêutica de grande relevância. O brincar é uma atividade cultural e educativa que possibilita à criança se constituir como sujeito ativo na construção de conhecimentos e relações. Dessa forma, na terapia, brincar é um caminho potente para promover saúde emocional, estimular aprendizagens e favorecer o desenvolvimento integral da criança.

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Renata Rolim Coelho

Psicóloga
Pós-Graduada em Análise do Comportamento Aplicada (ABA)
Pós-Graduada em Psicopedagogia
Formação em protocolos especializados (VB-MAPP, ESDM e ABA para TEA)
Experiência em TEA e outros transtornos do neurodesenvolvimento

KISHIMOTO, T. M. (2011). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação.

PIAGET, J. (1975). A formação do símbolo na criança.

VYGOTSKY, L. S. (1991). A formação social da mente.

WINNICOTT, D. W. (1975). O brincar e a realidade.

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